Ex-assaltante de banco e carro-forte faz curso para ser pastor

Ele responde a cinco processos na Justiça, já foi preso e baleado pela polícia, mas diz que teve sua vida transformada ao participar de um culto numa igreja evangélica.

 O Jornal A Tribuna (Vitória-ES) no mês de Julho trouxe essa matéria em umas de suas páginas policias. O ex-assaltante, que hoje é motorista, pediu que não tivesse o seu nome publicado na reportagem. Na matéria do Jornal, diz que ele responde a cinco processos criminais e que ele disse ter realizado inúmeros assaltos a bancos e carros-forte no Estado do Espírito Santo. Mas garantiu viver longe do crime e sonha ser pastor.

Em dez de Junho de 1998, um dos casos que ele contou ao Jornal, assaltou um carro-forte, mas foi frustado, pois a policia acabou descobrindo o crime indo ao local e prendeu um suspeito de integrar a quadrilha. Na ocasião, o ex-assaltante, que agora conta os bastidores dos crimes, foi baleado ficando gravimente firido quando trocava tiros com a policia.

Em entrevista ao Jornal A Tribuna, ele conta com que idade entrou para o mundo do crime, como foram os assaltos, e como se tornou evangélico. Veja abaixo, a entrevista completa ao A Tribuna (Vitória-ES).

A Tribuna - Como você caminhou para o mundo do crime?
Ex-assaltante - Na infância, eu ia para a igreja, mas na adolesc~encia conheci o mundo e passei a fazer coisas erradas, por influência de más companhias.
A Tribuna - Com que idade passou para o mundo da criminalidade?
Ex-assaltante - Entre 14 e 15 anos. Tudo começou com brigas e baile funk, em pracinhas, brigas de gangues de bairros vizinhos. Com 16,17 anos já estava envolvido em assaltos a mão armada.
A Tribuna - Fez quantos assaltos?
Ex-assaltante - Muitos. Eu nem sei dizer quantos ao certo.
A Tribuna - Mais de 10?
Ex-assaltante - Com certeza.
A Tribuna - Assaltava o que?
Ex-assaltante - Minha especialidade era carros-forte e bancos. Uma vez chegamos a um banco para assaltar e desistimos porque a agencia já estava sendo assaltada. Fomos para outro lugar.
A Tribuna - Pode contar como foram alguns de seus assaltos?
Ex-assaltante - Um deles foi uma tentativa de assalto a um carro-forte no Terminal de Laranjeiras, na Serra, em Junho de 1998. Eu integrava uma quadrilha de um traficante.
Em troca, o traficante que nos cedeu, iria lever uma comissão de 30% do valor roubado. Isso era comum naquela época.
A Tribuna - Como foi esse assalto?
Ex-assaltante - A gente tava armado com pistola 380. Quem passou todos os detalhes desse assalto foi a mulher de um traficante, que sabia da rotina do carro-forte e do terminal.
A Tribuna - E ai, o que aconteceu?
Ex- assaltante - Nos dividimos. Fui para o banheiro e, quando saí, vi um mendigo deitado no chão, todo sujo e com um saco que parecia ser de caranguejo. Disse para ele: 'Hoje vou arrumar um dinheirinho para nós'
Só que acho que amulher do traficante se arrependeu e denunciou nosso esquema. Tinha dois helicópteros sobrevoando a área e policias disfarçados no local.
Acho que eles estvam até dentro do carro-forte. Depois descobri que até o mendigo era policial disfarçado.
A Tribuna - Levou quantos tiros?
Ex-assaltante - Cinco tiros de pistola 9 milimítros. Um dos tiros atingiu o meu ombro easquerdo e a bala ficou alojada do lado do meu coração. Até hoje não tirei essa bala.
A Tribuna - Ficou em coma?
Ex-assaltante - O assalto foi por volta das 10 horas. Fui levado para um hospital público e me colocaram na pedra, pois achavam que eu tinha morrido. Fiquei lá a noite toda.
Pela manha, uma mulher crente, chegou ao hospital e pediu para orar. Ao me ver, ela fez a oração e eu me mexi.
Ela fez um escândalo no hospital. Só soube de toda a história depois de algum tempo, contada por ela. Fiquei sob escolta de policias no hospital durante um mês. Depois fui para a prisão, onde fiquei quatro dias. Saí de alvará, na condição de não me ausentar sem comunicar previamente.
A Tribuna -  Levou vida normal depois disso?
Ex-assaltante - Fui vigiado pela policia, principalmente pela P-2 (Serviço Reservado), durante um ano. Felizmente minha vida começou a ser transformada por Deus e hoje tenho muitos testemunhos para contar.
A Tribuna - Quais?
Ex-assaltante - Um dia recebi uma intimação e fui na igreja. Lá fui revelado que se eu saísse do crime, Deus seria meu advogado.
Na mesma hora eu levantei a mão e disse que a revelação era para mim. A partir daí, minha vida foi transformada.
A Tribuna - Pode dar um exemplo?
Ex-assaltante - Com essa intimação da Justiça, compareci ao Fórum, mas ao chegar lá procuraram e não acharam nada, ou seja, não havia nenhum documento dizendo que eu havia sido convocado.
Aliás, até devolveram meus documentos que tinham sido apreendidos na ocasião da tentativa de assalto do carro-forte, no Terminal da Serra.
A Tribuna - Mas responde aos processos?
Ex-assaltante - Cinco processos por assaltos.
A Tribuna - Já foi condenado?
Ex-assaltante - Até agora não. Mas fui preso em 2002, no Rio de Janeiro. Só qie dessa vez fui preso inocentemente. Trabalhava como taxista e fui procurado para fazer uma corrida para o Rio de Janeiro.
No caminho, o passageiro confessou que tinha matado um rapaz em Vitória. Fiquei desesperado e desmontei a arma dele., uma pistola, e escondi no carro.
Já estava no bolo e não podia mais sair. Só que a namorada dele confessou o crime e quando chegamos ao Rio fomos presos.
Fui acusado de formação de quadrilha e fiquei três meses na cadeia. Ao final, um parente dele confessou tudo e fui absolvido desse processo.
A Tribuna - Agora é evangélico?
Ex-assaltante - Sim. Faço até curso para ser pastor. Ainda não consegui porque respondo a processos, mas tenho fé de que um dia irei realizar esse sonho. O mundo do crime não compensa.
A Tribuna - Ganhou muito dinheiro?
Ex-assaltante - Sim.
A Tribuna - Somente em assaltos?
Ex-assaltante - Não. Tembém recolhia o dinheiro em várias bocas de fumos na Grande Vitória.
No mundo do tráfico tem muita coisa errada, tem a cobertura de muita gente influente, pessoas que você jamais imagina, mas não posso dar mais detalhes, pois tudo é muito sujo.
A Tribuna - O que ganhava em troca?
Ex-assaltante - Por noite, ganhava 5% do valor arrecadado, em média.
A Tribuna - Isso representa quanto em dinheiro?
Ex-assaltante - Entre R$ 2 a R$ 3 mil.
A Tribuna - Comprou muita coisa com dinheiro do tráfico?
Ex-assaltante - Acredita que não tenho nada,nenhuma palito desse dinheiro? Assim como o dinheiro entra fácil, ele sai sem a gente perceber.
Gastava tudo em farra, pagando coisas para amigos entre aspas, comprava roupas...Tudo o que tenho agora é com dinheiro honesto, fruto de trabalho.

Não vou expor aqui o que penso do caso, mas eu examinei as perguntas e respostas na entrevista e me veio, então, vários pensamentos na mente, como sempre ocorreu, e muitas referências biblicas, como por exemplo, Romanos 8.1, onde diz que"nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito"  Que esse ex-assaltante nao identificado da reportagem e também futuro pastor esteja convicto de sua fé em Jesus Cristo na certeza de que foi verdadeiramente convertido e não volte ao mundo do crime. E tambem, que seja um pastor segundo segundo o coração de Deus, não cobiçoso, não avarento e honesto em seu ministério.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por visitar meu blog!