Governador do ES pede ajuda a padres, pastores e advogados


O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, pediu no ultimo dia 21 (segunda-feira), ajuda de padres, pastores,advogados, centrais sindicais e movimentos estudantis na luta contra a divisão igualitária dos royalties.

Em reunião na segunda-feira com essas lideranças no Palácio Anchieta, em Vitória, criou-se o Comitê
Pró-Veto
com o objetivo de mobilizar a sociedade capixaba para garantir que a emenda do senador Pedro Simon ao projeto de lei que redistribui os royalties do petróleo seja vetada pelo presidente Luíz Inácio Lula da Silva.

O Comitê será coordenado pela Ordem dos Advogados do Brasil seccional Espírito Santo (OAB-ES). De acordo com o presidente da OAB-ES, Homero Mafra, a comissão vai fazer um manifesto a ser encaminhado ao presidente Lula, mostrando os prejuízos que o Estado pode sofrer, além das razões consticionais para o veto. E depois vai traçar novas açoes.

"A emenda apresentada quebra e rasga a constituição. Por isso, temos que mobilizar a sociedade capixaba. É possível que se faça um dia Pró-Veto no Estado."

Na próxima quinta-feira, o Comitê se reúne na sede da OAB-ES.

O pastor Enoque de Castro Pereira, presidente da Associação de Pastores da Grande Vitória, que participou da reunião, disse que a mobilização vai ser por meio de conscientização e orações: " Queremos fazer com que todos os fiéis saibam a importância dessa discussão"

O secretário de Estado do Desenvolvimento, Márcio Félix, reforçou a necessidade do Estado estar unido e afirmou que, caso não ocorra o veto ou ele seja derrubado, o Estado vai tomar outras providências: "Se perdermos, o caminho será o Supremo Tribunal Federal (TSF)".

Caso o projeto de emenda seja aprovado, a estimativa é de que o Espírito Santo sofra as perdas da ordem de R$ 500 milhões por ano. Se isso ocorrer,a proposta seguirá para sanção ou veto de Lula, que tem 15 dias para tomara decisão.

Hartung se reuniu nessa quarta-feira, dia 23 de Junho, com prefeitos e presidentes de Câmaras Municipais, no Palácio Anchieta, também com o objetivo de mobilizar as lideranças politicas.

Gostoso, não!

O conhecido padre Fábio de Melo, ligado a comunidade religiosa Canção Nova, que hoje vende mais cds que o também famoso padre Marcelo Rossi, deu entrevista ao programa Marilia Gabriela, quando contou que gosta de muito Carnaval e que, antes do seminário," desenvolvia carros alegóricos e quando foi para a Mocidade de Padre Miguel".

E brincando com seu sucesso entre as mulheres, fez até  piada: "Diminuíram os pedidos de casamento.Estou em baixa". E emendou: " Os elogios que recebo das mulheres sao respeitosos. Não me chamam de gostoso. Afinal seria um desrespeito"

Jornal A Tribuna, 22 de Junho de 2010.


É seu padre, eu prefiro nao falar sobre essas suas palavras...

Políticos contratam pastores











Além de atuar nas igrejas, religiosos estão assumindo cargos comissionados no Legislativo e Executivo, ajudando a atrair fiéis.

Política e religião estão cada vez mais próximas e isso se reflete nos poderes Legislativo e Executivo, onde a presenças de pastores com cargos comissionados cresce a cada dia.

É o caso do pastor Aroldo Pereira dos Santos, que é presidente estadual da Igreja do Evangelho Quadrangular e acessor parlamentar no gabinete do deputado estadual Euclério Sampaio (PDT).

"Fazemos um trabalho atendendo os evangélicos. É um atendimento mais popular porque nem sempre podemos receber a todos. Eu faço o encaminhamentos das demandas", disse o pastor.

Já na Prefeitura de Vitória, o pastor Alcemir Pantaleão Sobrinho, da Igreja Evangélica Peniel, contou que foi convidado pelo prefeito João Cóser (PT) a assumir a Subsecretaria Urbana do Município.

"Não tem como conciliar o tempo para a realização das atividades de pastor com a vida pública. Uma ficará prejudicada. E no meu caso foi o ministério pastoral.", explicou o pastor.

Pastor Alcemir disse que não está na subsecretaria por ser pastor, apesar de considerar que ser evangélico o ajuda no dia a dia.

"Fui convidado a compor a secretaria por ser ex-militar.Também tenho formação em Direito, Letras e Teologia. E, na condição de evangélico, posso contribuir com a questão publica porque agimos com um princípio", destacou.

Já em Vila velha, o pastor da Assembléia de Deus,Wandelrey Pacheco, que é diretor do Procon municipal, admitiu que a religião o ajudou a ser indicado pelo prefeito Neucimar Fraga (PR) ao cargo que ocupa.

"Houve influência por conta da religião. Eu coordenei a campanha (de Neucimar Fraga) na área religiosa", disse.Mas o religioso disse que não foi nomeado apenas por ser evangélico.

"Eu me recusaria a aceitar ( o cargo) se fosse apenas por ser pastor. Sou advogado, especializado em Direito Eleitoral, e quando fui convidado pelo Neucimar, não fui para o Procon como religioso. Uma coisa não pode interferir na outra", ressaltou Pacheco.

OS CARGOS PÚBLICOS OCUPADOS PELOS PASTORES
>Aroldo Pereira dos Santos, da Igreja do Evangelho Quadrangular: é acessor do deputado Euclério Sampaio(PDT)
>Alcemir Pantaleão Sobrinho, da Igreja Peniel: é subsecretário de Segurança Urbana de Vitória.
> Wandelrey Pacheco, da Assembléia de Deus: é diretor do Procon de Vila velha
>Abílio de Souza Neto, da Igreja Batista: coordena pesquisas da Secretaria de Transportes de Vitória.
> Sillas dos Santos Vieira, da Igreja Batista: é subsecretário da Assistência Social da Prefeitura de Vitória.
>Oseis de Moura, da Assembleia de Deus, é acessor especial do governador Paulo Hartung (PMDB
 
Religiosos divergem sobre o tema

O presidente da Associação dos Pastores da Grande Vitória, pastor Enoque de Castro, disse que vê com preocupação a participação de pastores em cargos públicos no Executivo e Legislativo.

"Creio que o grande perigo é de que pastores tirem proveito de estarem à frente de um ministério para assumirem cargos públicos.Acho que eles deveriam automaticamente se afastar da liderança da igreja", recomendou o pastor.

Enoque entende que,muitas vezes, a atuação do pastor-politico junto a comunidade pode prejudicar os fiéis. "Não vejo problema se a pessoa tiver capacidade para assumir a função e adotar critérios. Mas pode acontecer no Executivo, por exemplo, de você ficar sem chão para tomar uma decisão firme. É preciso tomar muito cuidado", disse Enoque.

O pastor salientou ainda que é difícil conciliar o tempo da atividade de pastor com o exigido por um cargo publico.

"Há igrejas que exigem um tempo integral do pastor, outras não. Dependendo da igreja, fica difícil se dedicar a uma das atividades", opinou.

O pastor Sillas dos Santos Vieira, da Igreja Batista, ocupa o cargo de subsecretário de Assistência Social da Prefeitura de Vitória comanda a Igreja Batista em Santo Antônio, Vitória.

Ele disse que a maior dificuldade é administrar o tempo, mas que consegue conciliar as duas atividades sem nenhum problema.

Além dos cargos públicos, há igrejas que aceitam, como a Assembléia de Deus, que pastores sejam políticos ao mesmo tempo em que desenvolvem suas atividades religiosas.

Um exemplo é o do deputado federal Jurandyr Loureiro (PSC), que é pastor da Assembléia de Deus há 31 anos e se reúne com os fiéis no templo em São Torquato, em Vila Velha.

"A gente não mistura muito a vida pública com a vida religiosa, tenho uma relação normal com o povo. Não preciso usar minha igreja para pedir votos, que não são apenas de evangélicos. Quase toda minha família é católica.", disse.

Pedidos de lajotas e pisos

Uma prática recorrente entre pastores de algumas igrejas é se aproximar de políticos querendo "favores" em troca de votos.O pedido mais frequente é o de compra de materiais de construção. A denúncia é do presidente da Associação de Pastores da Grande Vitória, pastor Enoque de Castro.

Ele disse, sem citar nomes de igrejas e de políticos, que a prática acontece há muitos anos e aumenta em período eleitoral.

"Isso é condenável.Sou totalmente contra. O político, somente com o salário dele, não tem como atender a todos os pedidos. Aí acontece fraudes em licitações e caixa dois. A igreja aceitando ajuda do politico está se corrompendo assim como ele", disse o pastor.

Enoque afirmou que muitas vezes a igreja não está seguindo o padrão do Cristianismo. "Depois que a igreja se institucionalizou

Um pastor da Assembléia de Deus, que não quis se identificar, apontou dois nomes de deputados, um estadual e outro federal, que teriam contribuido com materiais de construção para duas igrejas de denominações distintas, uma no bairro Jardim Colorado, em Vila Velha, e a outra em Resistência, Vitória.

Vinte pastores ouvidos pela reportagem, de diversas igrejas evangélicas, negam que aceitam ajuda de material de construção em suas igrejas, mas a maioria disse que há denominações que concordam em receber as ofertas de políticos.

"Sou contrário a essa prática e sempre oriento os fiéis a não pedirem nada a políticos. Nós já temos os nossos dízimos que deve suprir nossas necessidades", disse o pastor Mauro Marques, da Primeira Igreja Batista de Vitória.

SAIBA MAIS
Pedidos mais comuns feitos por pastores aos políticos

> MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: Cimento, lajotas e pisos
>AJUDA FINANCEIRA para eventos da igreja: muitas denominações recebem apoio de políticos e de prefeituras para organização de shows musicais, por exemplo
>PAGAMENTO DE CONTAS de agua e energia
>APARELHAGEM de som
>INSTRUMENTOS musicas
> CESTAS básicas

Pelo menos 20 vão disputar a eleição

Nas eleições deste ano, quando serão escolhidos os nomes para compor o governo do Estado, o Senado, a Câmara e a Assembléia Legislativa, os pastores evangélicos terão pelo menos 20 representantes na disputa.

O número é ainda uma estimativa dos partidos, já que muitos não fecharam os nomes. No PSDB, por exemplo cerca de cinco pastores deverão disputar a eleição para deputado estadual.

"Ainda não temos um número exato, mas nós devemos ter cinco (candidatos)  no partido. Na nossa coligação, esse número pode chegar a dez", disse o secretário-geral dos tucanos, Idivarcy Martins.

Já o PTC confirmou que seis nomes estarão na disputa por uma vaga na Câmara e na Assembleia." Serão lançados dois nomes a deputado federal e quatro a deputado estadual", confirmou o presidente da Executiva regional da sigla, Alexandro Martins Costa.

"Acho que para um sacerdote participar como candidato é preciso ele ter a direção segura de Deus e ter vocação para o serviço público", disse o presidente do Fórum Politico Evangélico, pastor Lauro da Cruz Reis.

Para ele, os religiosos podem participar da vida pública, mas não necessariamente serem candidatos. "Ele pode até ajudar o politico a exercer o cargo, dar orientação e um balizamento na vida do politico. Não estou dizendo que o cargo de politico e o de pastor são incompatíveis, mas o sacerdote tem de ter segurança de que Deus quer esse envolvimento". E completou: "Infelizmente, há pastores que se desviam da conduta. A prática politica tem essa tendência corruptora e se o pastor não tiver firmeza no carater, ele se corrompe.", concluiu.

Igrejas têm regras distintas para definir candidatura

Cada igreja evangélica tem regras próprias quanto à postura que deve ser seguida pelos pastores que desejam se candidatar a disputa eleitoral esse ano.

Na Igreja Batista Tradicional, põe exemplo, a orientação é de que o pastor se agaste do ministério enquanto está em campanha. Há também o conselho para que ele não peça voto dentro do templo.

Na Igreja Maranata, os pastores que querem entrar na corrida eleitoral são obrigados a se licenciar.

Na Igreja do Evangelho Quadrangular não há necessidade de se afastar das funções. Existe ainda a orientação para que os fiéis votem nos candidatos da igreja. 

Na Assembleia de Deus, os pastores que querem concorrer a uma vaga na vida pública também não precisam se licenciar das atividades religiosas, mas não podem fazer campanha dentro do templo.

Outras igrejas, como a Universal do Reino de Deus, foram procuradas pela reportagem mas não informaram as regras nas eleições até o encerramento desta reportagem.

_______________________________________________________














Padres vão ficar de fora

A Igreja Católica vem adotando, nos últimos anos, uma postura diferente das igrejas evangélicas e não permite que padres sejam candidatos nas eleições.

Em visita ao Vaticano para prestação de contas dos últimos cinco anos, o arcebispo de Vitória, dom Luiz Mancilha Vilela, vai discutir com o Papa bento XVI e religiosos de vários países, as regras da disputa politica.

Dom Luiz está no Vaticano desde o ultimo dia 8 e só deve retornar ao Estado no dia 29.

A decisão, com todas as regras que devem ser seguidas pelas pessoas que ocupam cargo de confiança na igreja e pelos padres que desejam ser candidatos, deve ser definida após essa data.

No entanto, segundo a assessoria do arcebispo , as mudanças com relação ás ultimas eleições devem ser poucas.

ORIENTAÇÃO 

A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) orienta os padres a não concorrer nas eleições.

Caso o religioso não abra mão de ser candidato,ele teria de se afastar da igreja.

Em caso de fim de mandato ou perda na disputa eleitoral, o retorno do padre ao sacerdócio teria de ser avaliada novamente pela igreja.

Até o momento, nenhum padre  da Arquidiocese de Vitória manifestou interesse em participar das eleições.

ANÁLISE                                                                                        
"Voto orientado causa impacto"
"A relação entre politica e religião é antiga. O poder espiritual tem capacidade de se desdobrar em outros poderes. O controle sobre bens de salvação é um controle valioso, que tem poder sobre as pessoas e é usado para construir outras formas de poder, seja politico ou econômico.
 
No Brasil Império a Justiça religiosa era mais forte que no Estado. Havia punições maiores para os crimes contra religião, por exemplo. Padres eram funcionários públicos e tinham cargos importantes.

A participação dos  padres na politica começou a diminuir com o Papa João II.

Atualmente a participação é maior dos evangélicos. Esse modelo de influência forte dos evangélicos na política vem dos Estados Unidos. No Brasil, começou a partir dos anos 70. 
Os evangélicos começaram pelas periferias onde as pessoas estavam esquecidas.

Ninguém acreditava que essa tendência evangélica se consolidasse e hoje é cerca de de 30% do eleitorado. O voto orientado causa impacto na sociedade. É um novo mundo"

                                                                                                 Mauro Petersem, cientista politico

Extraído do Jornal A Tribuna do dia 20/06/2010