A fé como caminho de saída da dependência do crack


Maior parte dos voluntários de centros de recuperação é de ex-usuários

14/12/2011 - 21h38 - Atualizado em 14/12/2011 - 21h38
Jornal A Gazeta ( Vitória-ES)
foto: Vitor Jubini
Maurina da Silva desenvolve um projeto para recuperação de viciados em crack através da Instituto Bálsamo Giliarde em São Torquato - Editoria: Cidades - Foto: Vitor Jubini
Maurina Silva dedicou mais de 20 anos da sua vida ao tratamento de viciados
Anny Giacominagiacomin@redegazeta.com.br

Aos 43 anos, Elizabete Martins Rosa pode olhar para trás e comemorar. Viciada em crack por sete anos, decidiu que era hora de abandonar a droga e vencer na vida. Na época, estava grávida de seis meses e, por vezes, tentou um aborto com o uso abusivo do crack. Hoje, pouco mais de quatro anos depois de iniciar o tratamento e com um lindo filho, ela vive o outro lado da moeda: é voluntária e tenta, a cada dia, tirar pelo menos uma pessoa do caminho de sombras pelo qual passou.

Assim como ela, boa parte das pessoas que hoje atuam como voluntárias em projetos sociais que cuidam de dependentes químicos - principalmente o crack - já sentiram na pele o drama que essas pessoas estão vivendo. Somente em uma das casas em que Bete atua, quase 90% dos voluntários são ex-viciados. Cada um deles tem uma história de vida e de vício mais arrepiante que a outra. Em comum, todos têm a fé - independente da religião. 

A vitória dessas pessoas também acaba sendo um incentivo para quem está nas casas de recuperação. "É muito difícil sair do crack, principalmente. É mais fácil esconder-se atrás da droga. Mas, quando você vê que outra pessoa conseguiu, passou por toda a dor que você vai passar, você passa a acreditar. A sociedade não quer acreditar que Jesus salva porque a dependência química virou um negocio lucrativo. Mas só Ele salva", ressalta.

Bete frequentou durante três anos um dos sítios da Casa Bálsamo de Gileade, comandada pela missionária Maurina da Silva, que decidiu se doar a esse tipo de voluntariado há mais de 20 anos. Maurina já perdeu as contas de quantos dependentes químicos ajudou, com perseverança e oração.

Hoje, o projeto atende a cerca de 190 dependentes químicos. "Comecei a levar as pessoas para dentro de casa. Muitos vizinhos não aceitavam, mas esse é o meu chamado. E tenho orgulho de ver que muitos dos que passaram por aqui viraram pastor, por exemplo, ou nunca mais usaram drogas", diz a missionária.

O pastor Sérgio Reis, de Domingos Martins, é um que sempre está em contato com a missionária, trazendo pessoas para se tratarem do interior para a Grande Vitória. Para ele, a fé é fundamental no processo de recuperação. "A fé é importante porque trabalha a autoestima, desperta uma visão no dependente, que passa a acreditar nele mesmo".

Ajuda da igreja e dos familiares
Toda sexta, das 20h às 22h, o coordenador da Pastoral da Sobriedade, Claudio de Oliveira, 63 anos, vai até a igreja católica do Bairro República, onde, junto de outros membros da pastoral, atende a famílias de viciados em drogas. "A família tem que participar desse processo de cura, ela é fundamental. Se não fosse a minha, eu nunca teria saído dessa vida", conta.

Grupo se prepara com projeto para dar força a quem quer abandonar o vício
Enquanto alguns já se dedicam há anos ao voluntariado, um grupo de jovens da Igreja Batista está passando por um treinamento para atuar no projeto Cristolândia Vila Rubim. Previsto para começar em março, em Vitória, a ideia é atender aos dependentes químicos 24 horas por dia, buscando sua recuperação tanto física, psíquica e espiritual.
foto: Vitor Jubini
Voluntários da Cristolândia que irão atuar na cracolândia da Vila Rubim, Vitória - Editoria: Cidades - Foto: Vitor Jubini
Os integrantes do Cristolândia Vila Rubim vão atender a dependentes químicos

Como ajuda, eles contam com jovens que participavam do projeto em São Paulo - todos ex-viciados. O grupo está tendo aulas diariamente de disciplinas que envolvem a espiritualidade e a prática de abordagem de rua, além de informações sobre dependência química.

O assistente social Felipe Cristiano Sales, um dos organizadores do grupo, explica que muitas dessas pessoas viciadas em drogas precisam apenas de uma mão para largar o vício. "Nós vamos oferecer essa oportunidade. Teremos uma casa para levá-los, para que seja feita a higienização deles, sejam alimentados e participem de algumas atividades culturais", conta.

Passado um período de 24 horas sem drogas, os dependentes serão encaminhados para uma comunidade terapêutica por três meses. Depois disso, vão para o Centro de Formação Cristã, onde receberão auxílio por um ano para reinserção na sociedade e no mercado de trabalho. "Existe esperança. Essas pessoas só precisam de uma oportunidade", diz Felipe.

Veja a matéria completa no Gazetaonline e no Pacto Pela Paz

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