Dízimo vai parar na conta de pastores de Assembléia de Deus na Serra-ES

Dízimo vai parar na conta de pastores

Há suspeita de enriquecimento ilícito de um pastor na Serra

27/02/2012 - 23h38 - Atualizado em 27/02/2012 - 23h38
A Gazeta
foto: Edson Chagas
Fachada da igreja Assembléia de Deus, na rua Major Pissarra, em Serra Sede - Editoria: Cidade - Foto: Edson Chagas
Unidade alvo de denúncia fica em Serra-Sede e é responsável por 82 templos


Letícia Cardoso
lcardoso@redegazeta.com.br
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br

A polícia está investigando um possível desvio dos recursos provenientes do dízimo da Assembleia de Deus da Serra-Sede. A unidade, que é responsável por 82 templos, chega a arrecadar R$ 115 mil por mês. Até agora, segundo a polícia, já foi comprovado que os valores estavam sendo depositados nas contas pessoais de pastores. As denúncias apontam ainda para o enriquecimento ilícito do pastor-presidente da igreja, Délio Nascimento, que teria patrimônio superior a R$ 6 milhões.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. Segundo o delegado Gilson Gomes, a polícia apura se os valores depositados nas contas do pastores foram de fato desviados. "Se as informações forem configuradas, isso se caracteriza como apropriação indébita", disse.
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A denúncia, também protocolada no Ministério Público Estadual, aponta para outras irregularidades. Entre elas, a compra de carros e a venda de imóveis envolvendo o nome da igreja. Revela também um volume de dívidas, no nome da igreja, que gira em torno de R$ 350 mil.
Depoimentos

Ontem, três pastores prestaram depoimento na delegacia. Um deles é o tesoureiro da igreja, Amazildo Gonçalves dos Santos, que confirma ter recebido, nos últimos seis anos, depósitos de dízimos em sua conta. O valor, segundo ele, totalizaria R$ 800 mil. Seu argumento é de que os recursos serviram para cobrir despesas que fazia em nome da instituição. "Como a conta da igreja estava inativa, acabava pagando as despesas com meu cheque", argumenta.

O segundo tesoureiro, o pastor Henrique Gonçalves, confirmou ter feito depósitos na conta de Amazildo. Segundo o texto do seu depoimento, isso aconteceu após "receber uma ligação em que ele alegava ter emitido alguns cheques que precisavam ser cobertos".

Gonçalves acrescentou que tudo foi feito com anuência do pastor-presidente da igreja, Délio Nascimento. "Fiz tudo cumprindo ordens quando assumia a primeira tesouraria na ausência do Amazildo", afirmou à GAZETA.

Já o pastor Francisco Alves Feitoza diz que, durante um ano e dois meses, fez vários depósitos na conta de Délio Nascimento e na de Amazildo. "Foram vários depósitos, mas não me recordo do montante", assinalou ele, em depoimento.

Preocupado com a denúncia, que classificou como infundada, o pastor Délio Nascimento, se defendeu, citando o caso de desvio de dízimos ocorrido na Igreja Maranata e denunciado com exclusividade por A GAZETA: "A igreja tem uma gestão nada parecida com a da Maranata. Abro todo o sigilo financeiro", disse.

Nascimento foi categórico ao descartar qualquer irregularidade na Assembleia que administra. Afirma que as contas particulares eram emprestadas para cobrir as despesas da igreja. "Não trabalhamos com gestão centralizada. Cada pastor é responsável por sua igreja", frisa Délio, que deve prestar depoimento nos próximos dias.

O assunto também será avaliado pela Convenção das Assembleias de Deus no Estado (Cadeeso), que dá as diretrizes a todas as unidades no Estado. O primeiro vice-presidente da Cadeeso, pastor Arnaldo Candeias, adiantou que não há orientação para que o depósito de dízimo seja feito em contas particulares. "Nunca vi isso em lugar nenhum. Todas as igrejas devem ter suas próprias contas", ressalta.


Maranata também é investigada

Outra denominação evangélica é alvo de investigações da polícia, além de ser analisada também pelos Ministérios Público Estadual e Federal. Trata-se da Igreja Cristã Maranata, onde um esquema para desviar recursos provenientes do recolhimento do dízimo foi montado na cúpula da instituição.

A informação foi publicada com exclusividade por A GAZETA em 5 de fevereiro. Há indícios do envolvimento de pastores, diáconos e até fornecedores na fraude. Estimativas iniciais da igreja indicavam que o rombo é de, no mínimo,
R$ 21 milhões. A Maranata entrou com uma ação na Justiça para pedir ressarcimento de R$ 2,1 milhões.

O rombo foi identificado em uma investigação da própria igreja, que aponta a participação do então vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e do ex-contador da Maranata, Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos afastados de suas funções administrativas e religiosas.

O golpe era viabilizado por notas fiscais frias, que permitiam a retirada de valores do caixa da igreja. Segundo documentos obtidos por A GAZETA, as notas eram emitidas por fornecedores do Presbitério da Maranata. Há indícios de que empresas foram criadas para essa finalidade. Os envolvidos alegavam que o dinheiro serviria para "ajudar irmãos no exterior".

Fonte: Gazeta Online

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