"Católicos: um rebanho cada vez menor", diz matéria de jornal capixaba

O título da matéria no Jornal A Gazeta é: "Católicos: um rebanho cada vez menor"

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Nos últimos 20 anos, o percentual de fiéis caiu de 83% da população para 67,84%, o que tem preocupado a cúpula da Igreja no Brasil






Nos últimos anos a Igreja Católica no Brasil vê seu rebanho diminuir a cada nova pesquisa sobre a religiosidade da população. Diminuição que preocupa até mesmo a cúpula do clero, que abordou o tema  durante a 50ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre os dias 17 e 26 de abril. Na ocasião, o  padre jesuíta Thierry Lienard, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (Ibrades), organismo vinculado à CNBB, apresentou  dados do estudo intitulado “Mapa das Religiões”, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

E as constatações não são nada animadoras para os católicos. Nos últimos vinte anos, o percentual de fiéis caiu de 83,3% da população para 67,84% . O número é o menor desde que a população do país começou a ser recenseada, em 1872. Os dados têm como base as Pesquisas de Orçamento Familiares do IBGE, realizadas antes do Censo 2010, que ainda não teve o resultado final divulgado e pode trazer   números ainda menores.

Já os evangélicos, que eram 9% no Censo de 1991, mais que dobraram, passando para 21,93% da população. O termo é usado para determinar mais de quarenta denominações religiosas, das quais a maior é a Assembleia de Deus, com 5,77%. “O número de seguidores de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, que aparece com 1% nas pesquisas é na realidade maior” estima o padre Thierry. Segundo ele, o fato de algumas pessoas se dizerem de uma religião, mas na verdade frequentarem várias,  pode ser um fator de distorção nesses números.
foto: Riccardo de Luca/AE

Causas

 
“Perdemos o povo, porque, se o número absoluto de católicos cresce, caíram os números relativos, que dizem a verdade”, afirmou durante a assembleia o cardeal dom Cláudio Hummes, que já foi prefeito da Congregação do Clero no Vaticano. Para ele, a Igreja precisa se preocupar com a evangelização dos católicos que já foram batizados. “Não basta fazer uma bela teologia em pequenos grupos”, disse durante uma das missas.

O teológo e especialista em religião de A GAZETA, Vitor Nunes Rosa, defende que não há uma perda de fiéis, mas sim  uma maior liberdade religiosa. “As pessoas estão mais encorajadas a assumir, por exemplo, que não têm religião. Sentem-se mais à vontade porque sabem que hoje é possível expressar sua posição sem sofrer represálias”, ressaltou.

Historicamente, a Igreja Católica teve, no passado, uma relação muito próxima com o Estado. Isso tornava a adesão ao catolicismo quase que obrigatória, como explica o teólogo.  “Na época do império, ser cidadão significava automaticamente ser católico. Hoje há uma pluralidade, não há religião imposta pelo Estado”, destacou.

Segundo ele, o distanciamento ocorre porque atualmente a sociedade vive uma época em que as pessoas procuram uma religião que atenda os anseios individuais. “É como  um self-service da fé”, compara. Na busca pela satisfação individual, a tendência é a rejeição a instituições, como a Igreja. “Estamos em uma sociedade líquida tão forte que  o institucional é rejeitado. A Igreja Católica passa por isso. É o mesmo que acontece na escola. O aluno quer navegar na internet , bater papo, fazer o que quiser, enquanto o professor dá aula”, apontou.

Rituais


O teólogo e professor de História do Cristianismo Wanderley Pereira destaca que até os próprios ritos podem ser uma das causas de fuga dos fiéis católicos. “Há uma incapacidade da Igreja de se atualizar liturgicamente. As pessoas perdem o ânimo de frequentar uma missa que consideram chata e desistem.  Por isso, fenômenos como o movimento carismático fazem sucesso e provavelmente tenham avançado. Não tenho dados, mas é provável que os carismáticos tenham crescido enquanto a Igreja como todo tenha diminuído ”, explicou.

Fenômenos midiáticos como os padres cantores,  que celebram missas de forma diferente ou fazem shows, também  são apontados como atrativos para essa vertente do catolicismo. “No entanto, esses padres destoam do restante da Igreja. Chamam a atenção porque fazem muito barulho, mas são poucos”, pondera.
 O posicionamento  da Igreja em  questões polêmicas que segundo o teólogo representam decisões de cunho individual - como aborto, uso da camisinha, sexo antes do casamento - também seria uma das causas do distanciamento. “A Igreja católica ainda traz muito a concepção de uma religião pública, uma tentativa de impor a sua visão à sociedade como um todo, além de interferir em temas individuais como a sexualidade e aborto. Em geral, o discurso é fundamentalista, pouco aberto ao diálogo”, pontuou.
  
Evangélicos

Também mostrado em números, o avanço dos evangélicos preocupa até mesmo o papa Bento XVI. Em setembro do ano passado, o pontífice chegou a abordar o tema durante um encontro com líderes de uma igreja evangélica alemã e uma conversa com jornalistas a caminho de Benin, na África. Ele creditou o crescimento a uma mensagem compreensiva e cultos participativos.  

Para Vitor Rosa, a vasta quantidade de igrejas que se denominam evangélicas é um fator que contribui para o crescente número desses fiéis. “É um termo muito genérico usado para os cristãos que não são católicos. Há uma fragmentação muito grande, um número grande de igrejas”, analisa.

O discurso dos chamados neopentecostais (Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça e Mundial) é considerado como mais sedutor. “A chamada teologia da prosperidade encanta as pessoas. Eles apelam para o elemento existencialista, prometendo felicidade, curas, milagres. Também trabalham com uma espécie de sincretismo dos mais variados ritos. Esses líderes, hora se vestem como médicos, enfermeiros, pais de santo e até padre. É um universo muito vasto”, salientou.

Segundo Wanderley, a pouca interferência dessas religiões no comportamento individual dos fiéis faz com que elas se tornem compatíveis com os desejos pessoais. “A questão ética não está na agenda dos neopentecostais, assim como a questão comportamental que não é abordada. É uma religião em que a pessoa vai para ouvir benefícios, mas sem receber cobranças”, reforçou.

Uma característica desses líderes neopentecostais é a grande exposição na mídia, especialmente na televisão, como é o caso dos chamados teleevangelistas.  “Há uma agressividade nos evangelistas neopentecostais, especialmente nos televangelistas, no sentido de fazerem grandes investimentos, comprando muitas horas na mídia. Fazem um evangelismo proselitista, propropondo vantagens materiais”, ressaltou.

Mudanças na Igreja

Por outro lado, o catolicismo também possui uma preocupação em se atualizar, que, por sinal, não é nova. Há 50 anos, começava em Roma o Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII. A reunião de bispos de todo o mundo teve várias conferências, entre 1962 e 1965.
De lá, vieram uma série de mudanças que tiveram como objetivo proporcionar uma maior aproximação com os  fiéis. Uma das principais foi o fim da missa celebrada em latim e de costas para o público. O rito passou a ser feito na língua de cada país e voltado para a assembleia. 

A participação dos leigos - fiéis comuns, não ordenados padres - também passou a ser estimulada, assim como o diálogo com outras religiões.

O estimulo à chamada “nova evangelização”, termo cunhado para definir o uso dos meios de comunicação a serviço da Igreja também foi um dos pontos defendidos pelo pontífice que encerrou o concílio, Paulo VI. Tanto que hoje,  assim como os evangélicos, os católicos também estão na mídia. Além de seis canais de TV  , a igreja tem sob a sua batuta centenas de emissoras de rádio em todo o território nacional.

Fenômenos musicais

Outro exemplo são os padres cantores, que ocupam quatro das dez  primeiras posições do ranking de venda de discos do ano passado. Padres como Marcelo Rossi e Fábio de Melo são figuras constantes nas várias redes de TV. Outro padre, Reginaldo Manzotti, diz ter o programa retransmitido por mais de mil rádios em todo o Brasil.

Essa crescente exposição da Igreja na mídia não seria, segundo Vitor Rosa, uma resposta aos protestantes. “A igreja só quer se fazer presente nesses espaços, com uso dos recursos como rádio, tv, o jornal e a música como ferramentas para a evangelização. E isso vem desde o concílio”, afirmou.

O coordenador de pastoral da Arquidiocese de Vitória, padre Kélder José Brandão Figueira, também ressalta que a igreja não tem intenção de entrar em uma disputa com as outras denominações. “Não se trata de ter uma grande quantidade de fiéis e de para isso abrir mão da tradição. A Igreja não é movida por essa lógica de competição”, ressaltou.

Na opinião do religioso, a igreja está atenta ao que chamou de “sinais” da sociedade. “Quando as pessoas aderem ao  pentecostalismo estão mostrando que alguma coisa está ficando a desejar  em termos de linguagem, moral, ou de litrugia”, frisou. Ele também destacou que os bispos estão estudando como o catolicismo pode ser comunicado de maneira diferente. “A Igreja tem uma capacidade muito grande de se adequar ao momento histórico. O catolicismo é muito rico em sua diversidade”.


Queda

 
15,46% é quanto diminuiu o rebanho dos católicos no Brasil, em 20 anos. Os evangélicos, ao contrário, passaram de 9% para 21,8% no mesmo período. A comparação é feita entre os dados do Censo de 1991 e o estudo Mapa das Religiões, divulgado em 2011 pela FGV.





Fonte: Gazeta Online e Jornal A Gazeta

Sobre a matéria, eu posso concordar com alguns no texto. Deixar o catolicismo para ser algumas igreja mencionadas na matéria é apenas mudar de lugar. De que adianta eu deixar de acreditar na água benta, na imagem, no crucifixo, etc, e depositar fé numa rosa consagrada, numa toalhinha ungida, numa botija de azeite, no sal grosso, etc, etc? De ambos os lados existe a idolatria, a supertição!

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