Evangelho do Palco X Evangelho da Platéia

Silas Magela
 
"A música gospel reflete a caminhada da igreja..." - foi o que declarou o cantor Kleber Lucas em entrevista ao site Vitrine do Tocantins.

Nos púlpitos evangélicos também acontece o mesmo processo, prega-se o pensar, o viver e as pretensões dos que caminham na igreja evangélica.

Como sempre, o inimigo da Igreja age com muita sutileza para enganar e desvirtuar os valores genuínos do Reino de Deus. Isso tem afetado a postura de muitas pessoas que mesmo se declarando evangélicas parece não perceber que estão se distanciando das práticas graciosas dos ensinamentos puros de Jesus.

Qual é o impacto causado por frases como estas?
"Um novo nome ouvirá sobre essa terra, Quem sabe, este nome seja o seu..."
ou então:
"Deus está anunciando um novo nome, Tem grande chance de esse nome ser o seu!"
ou ainda:
"Deus vai bradar, anunciar em alta voz pra o universo ouvir, Eis que um novo vencedor está chegando ai..."
Essas frases expressam uma forma de enxergar a proposta do Evangelho absolutamente distorcida, onde não só se busca a exaltação do próprio "eu", faz-se de forma quase megalomaníaca,  em uma percepção pessoal que se agiganta em detrimento do outro: "quem sabe esse nome seja o seu...!!!". 

Tal cultura destoa completamente da essência do Evangelho que nos ensina um posicionamento do "eu" que caminha ao lado do "outro" quando não inferior(*). Portanto, o Evangelho não sugere egoísmo, nem jactância, muito menos estrelismo de um ego adoecido que só é possível se ter quando não se conhece a verdade plena do Evangelho.
O Evangelho que eu conheço pela narrativa de Jesus e dos apóstolos nos ensina a considerar o próximo superior a nós mesmos(*), a dar de graça o que de graça recebemos, sem interposição pessoal com reinvidicação de mérito. O Evangelho que eu conheço nos ensina a sermos unânimes entre nós; não ambicionando coisas altas, mas acomodando-nos às humildes[1].

Observe outro exemplo do equivocado entendimento do Evangelho no meio "gospel":

"...Quem te viu passar na prova
E não te ajudou
Quando ver você na benção
Vão se arrepender
Vai estar entre a plateia
E você no palco..."

Quem pensa em palco, pensa em lugar alto e de destaque com o privilégio de ser admirado, ovacionado e venerado por uma platéia. E essa relação Palco X Platéia  tem sido o teor de inúmeras pregações pentecostais nos últimos anos o que comprova a infiltração de uma cultura de egocentrismo de forma sutil e com discurso dissimulado, que nunca encontraremos nas linhas do Evangelho. Com um quê de  sentimento de vingança, evangélicos Brasil a fora cantam quase que em êxtase esses refrões que por mais que possam parecer inspirações bem intencionadas ou talvez ingênuas (fazer um julgamento aqui certamente não é o meu objetivo), o fato é que qualquer sutileza que desvirtua o Evangelho é perigosa, pois muitos, por estarem famintos, vão comer o que tiver na panela e pode haver veneno ali (leia sobre a morte na panela).

Se esses sentimentos forem os agentes inspiradores de nossas canções e pregações, o que dizer dos ensinamentos de Jesus, que nos ensina a amar até os nossos inimigos, bendizer os que nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam, e orar pelos que nos maltratam e nos perseguem;  (ler mais em Mateus 5:44)


Não há canção mais pura e linda do que a que canta Jesus, o nome que está muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; (Efésios 1.21) - a canção que canta Cristo vivendo em nós  e não mais nós mesmos.


Vale refletir:


(*)"...nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo; não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros. Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz".


Publicado originalmente em no blog Do AUTOR 
Diviulgação Genizah 

Que negócio é esse de fazermos parte de uma "geração ferida e abusada pelos pais" André Valadão?


Tenho assistido ao DVD Fé de André Valadão nesses dias. E observei uma coisa: Após apresentar o seu filho Lorenzo, André Valadão faz uma oração, dizendo: "Ore comigo assim: Senhor Jesus, eu faço parte de uma geração que tem sido ferida, que tem sido abusada... pelos pais...pelo pai...".

Não entendi, ao certo, essas palavras...Costumo ouvir tantas músicas, mensagens, onde dizem que fazemos parte de uma "geração de adoradores","geração apaixonada por Jesus", "geração escolhida", em fim, somos até chamados de "geração de Samuel que está se levantando em todo lugar...". No mesmo DVD, André Valadão canta que "somos o povo mais feliz da terra". Mas na oração que ele faz não é isso que parece.

Agora pense: "...a geração dos retos será abençoada." (Salmos 112:2). "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". (1 Pedro 2:9). Outra vez digo: Na oração que ele faz não é isso que parece.

Uma outra observação: Quando você ouvi essa oração que André Valadão faz, note que parece que ele fala de algo que envolve até o próprio Deus..."uma geração que tem sido ferida, que tem sido abusada... pelos pais...pelo pai..."( Pai? Que pai?O Pai com o P maiúsculo?). Gostaria de saber se ele está falando do Pai, que é Deus...

Quero saber como é que é isso..."fazer parte de uma geração que tem sido ferida, que tem sido abusada... pelos pais...pelo pai..." ("Pai"), e ao mesmo tempo pertencer a uma geração que será abençoada, segundo está no Salmo 112:2.

Vamos deixar o emocional de lado e exercitar mais a nossa mente de Cristo!