A imagem do Divino Pai Eterno e a exaltação a Maria - Trindade ou "quatrindade"?




A imagem do Divino Pai Eterno e a exaltação à Maria

Amigos, meu objetivo com esse post é analisar de forma breve a ideia transmitida pela imagem do Divino Pai Eterno. Quero lembrar que eu não pretendo levantar polêmica com essa minha exposição, mesmo que tenha pontos exegéticos e representação teológica entre fé evangélica e fé católica. Com subsídios suficientes, continuo a alertar aos amigos católicos sobre o perigo de se envolver com o culto às imagens.

A devoção à imagem do Divino Pai Eterno iniciou-se por volta de 1840, quando um casal de agricultores, nas proximidades do Córrego do Barro Preto, (atualmente Trindade, região de Campinas, GO), encontrou no campo onde estavam trabalhando um medalhão de barro, no qual estava imagem da Trindade coroando a virgem Maria. Após beijarem o medalhão, os agricultores levaram a imagem para casa e lá começaram a rezar diante dela. O fato foi notificado e, aos poucos, outros moradores passaram a rezar diante do objeto. Crescendo a devoção, construíram um santuário e fizeram uma réplica de madeira da imagem. No ano de 2006, então, o papa Bento XVI elevou o santuário ao status de Basílica Menor, tornando a imagem peregrina.

Mesmo reconhecendo tais manifestações são compreensíveis, sob a ótica da devoção popular, é claro, principalmente entre os indivíduos das classes sociais mais baixas, os menos favorecidos, sendo mais suscetíveis a esse tipo de superstição, contudo, o que não consigo entender é como alguns homens que estudaram a Palavra de Deus durante anos e anos nos seminários, ao invés de arrancar pela raiz esse mal, conseguem pôr mais ainda em execução esse tipo de coisa.

Todo esse processo de geração do culto às imagens ocorre da seguinte forma: a devoção popular de um ou mais católicos gera culto que cresce e pressiona a paróquia que, por sua vez, para não perder fiéis, tolera a crença e justifica a prática com a presença de padres e/ou bispos e missas no local. Mas há, também, as questões políticas que influenciam a aceitação das devoções. E ainda existe a possibilidade de, com o aparecimento de novas imagens e o crescimento das devoções a elas, a diocese, junto com o município, arremessar-se no cenário nacional.Nesse caso, padres e bispos locais fazem pressão sobre os principais dirigentes da Igreja para que eles reconheçam a prática essa prática, tornando oficial o culto às imagens. Em volta desses santuários, aumenta também, a exploração comercial com a venda de objetos e, principalmente, de réplicas das estatuetas. Aliás, temos um exemplo típico disso nas cidades de Trindade (GO) e Aparecida (SP).

Quando olhamos com discernimento e analisamos de forma crítica a imagem do Divino Pai Eterno, entendemos que que algo está errado, julgando pela questão teológica que diz respeito ao próprio conceito da palavra Trindade. De forma subliminar, a existência da representação de Maria está unificando-se na Trindade, e com isso, fazendo uma "quatrindade" (composto por quatro), e traz confusão à mente do devoto católico, e esse cada vez mais passa a ver em Maria a representação de uma personagem praticamente divina, tão poderosa quanto as três Pessoas da Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, entre os quais ela se representa e se uni.Com isso, observamos que a Maria criada pelo catolicismo seja bem diferente da Maria que encontramos nos evangelhos!

Uma outra questão sobre esse problema, sob essa representação,refere-se a própria devoção católica. Será que o devoto, ao se ajoelhar diante da imagem do Divino Pai Eterno para fazer preces, poderá fazer a "cuidadosa" diferença entre o culto de latria (adoração a Deus) e o culto de hiperdulia (adoração a Maria)? Por acaso, conseguiria ele distinguir entre os diferentes cultos prestados à imagem de Maria e a Deus? Claro que não, pois isso não se pode provar ou evidenciar.

Vemos também que que o simbolismo oculta e acaba representando, de forma simultânea, mensagens subliminares. A dimensão simbólica da imagem tornou-se mais importante como a imagem em si mesmo. É importante analisarmos a posição de Maria nesse conjunto Repare que a cena produzida na imagem do Divino Pai Eterno apresenta Maria planejada de maneira ligeira na frente das três representações divinas com um destaque sutil.Na verdade, o que se vê por trás da cena criada não projeta o Pai Eterno, mas sim Maria: para os católicos, Maria é a rainha do céu.

Quero ressaltar que não há nenhuma base bíblica para esse título mariano. O título rainha do céu aparece unicamente na Bíblia para identificar e condenar o culto a uma deusa do paganismo.Isso mesmo! A rainha dos céus era uma deusa pagã, pela qual pessoas no passado não quiseram obedecer a Palavra do Senhor que lhes foi anunciada (Jeremias 44.16) adorando-a com incenso e libações e outras oferendas e sacrifícios (Jeremias 44. 17 -30). "Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira." (Jeremias 7:18).E "andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás, e não para diante." (Jeremias 7:24).Vocês não acham coincidência e, ao mesmo tempo, estranho darem à Maria o título de  "Rainha dos Céus"?

Além disso, quando observamos melhor a imagem do Divino Pai Eterno, percebemos que sobre a cabeça de Maria há as mesmas coroas que o Pai e o Filho possuem. E é nesse gesto anacrônico e silencioso, todo o poder que pertence ao governo de Deus compartilhado com Maria. O filme, O alto da Compadecida transmite a ideia de que Maria pode mais que Jesus, pois na cena em que o personagem João Grilo morre e vai para o céu ser julgado , o "Jesus" diz que o caso ele não pode resolver e logo passa para Maria, a qual salva João. Uma coisa que muitos não sabem, ou sabem e fingem não saber, é que a mensagem simbólica, partilhada com os sígnos, é que Maria governa e rege o Universo junto com a Trindade. Por isso que, em representações como essa, Maria é vista tão poderosa quanto os outros personagens.

Determinadamente, fica difícil entender porque a imagem foi denominada de Divino Pai Eterno, sendo que Maria foi quem recebeu a coroa de personagem principal na cena, e Deus, o Pai, é visto como um simples coadjuvante. Pode ser que, a grande coleção de ícones de Maria, em suas muitas demonstrações, tenha feito surgir a oportunidade de esse fervor religioso ter causado um desvio da projeção de Maria para o Pai, que até então, não tinha nenhuma reprodução por meio da escultura no panteão romano.

Além da própria presença do ícone, em si mesma, a negligência explícita do mandamento que proíbe a fabricação e o culto às imagens (Êxodo 20.4,5), a representação do Deus Pai no ícone do Divino Pai Eterno como um ancião, torna mais eficaz esse erro a graus superiores sem limites, pois vários textos da Palavra de Deus na Bíblia Sagrada proíbem  de modo indiscutível, representar as imagens de Deus Vemos isso em Deuteronômio 4,15-16, onde diz: "Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o SENHOR, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher".

A clareza do texto dispensa interpretações mais sofisticadas, e em muitos outros textos, a Bíblia ordena que não se faça imagens para lhes prestar cultos. E esse erro se torna pior ainda quando se trata da imagem do Divino Pai Eterno, pois além de sabermos que o próprio Jesus disse que ninguém jamais viu o Pai (João 1.18), a não ser pelo próprio Filho (João 14.9), também "não devemos pensar que a Divindade é semelhante a uma escultura de ouro, prata ou pedra, feita pela arte e imaginação do homem." (Atos 17:29). E se ninguém jamais viu o Pai, como, então, podemos representá-Lo através de uma imagem? É impossível isso!

Podemos nos certificar de que essa prática transgride ensinamento bíblicos, destacando pontos como: a imagem em si, o culto desenvolvido em torno da imagem, o Pai Eterno representado em mais um ídolo, a figura de Maria junto a Trindade, e Maria como rainha do céu.

Após essa rápida análise, deixo, aos amigos e devotos católicos, o mesmo conselho de João de João em sua I Carta, capítulo 5, versículo 21: "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém".

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