Maranata: no lugar de Jesus, quem veio foi a Polícia Federal


Maranata: o Senhor Jesus saiu

Não percebem que as investigações não têm como objetivo atacar a igreja, mas sim defender os verdadeiros cristãos que têm sua fé explorada

Diz a Bíblia no livro de Mateus: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, ali estarei Eu no meio deles”. Já as páginas policiais têm escrito uma verdade nada bíblica: quando o nome de Deus é usado para atender interesses de alguns engravatados, nem mesmo milhares reunidos tornam o momento Divino.

Ironicamente, a Igreja Maranata comemorou seus 45 anos em plena Praça do Papa, na semana do conclave! Lá estavam 130 mil fiéis renovando seus laços de fé.

A megaestrutura dava inveja a qualquer Edir Macedo: 9.500 voluntários, palcos gigantes, coral infantil de 1.500 crianças, adulto com 1.200 vozes, transmissão via internet para 97 países e 2.200 ônibus de fiéis. Na frente uma enorme faixa anunciava: “O Senhor Jesus vem!”. Segundo as más línguas, Cristo quase ficou preso nos engarrafamentos caóticos que surgiram na cidade.

As falas e orações diziam que Jesus estava voltando. Mas quem chegou foi a Polícia Federal. Dois dias após o megalouvor, quatro pastores da mais alta cúpula da igreja foram presos acusados de intimidar os fiéis que denunciaram a corrupção dos “homens de bens”.

As ameaças se davam de toda forma. E é curioso observar que, em seus atos, os tais “pregadores” contradizem a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse.

No Salmo 22, Cristo é o pastor que conduz seu rebanho no caminho seguro. Já na Maranata, os pastores detidos conduziam os fiéis ao cartório, para mudarem seus depoimentos. No Salmo, o rebanho não teme o vale tenebroso. Já na Maranata, é o temor quem opera a mudança. Diziam: “Para o seu próprio bem, é melhor alterar seu depoimento”. Deu certo: dos vinte ameaçados, sete já mudaram suas declarações.

O Salmo 41 também anda riscado das escrituras: “O Senhor o sustentará em seu leito de enfermidade, e da doença o restaurará”, diz. Já na Maranata, os pastores visitam o “leito de enfermidade”, mas a restauração anda longe. Um membro de 62 anos afirma ter sido ameaçado na UTI, após uma cirurgia de ponte de safena, e até mesmo onde as visitas eram proibidas. Médico, o pastor Amadeu Loureiro foi de branco anunciar a boa nova.

A carta aos Efésios também foi arrancada das Bíblias que carregam debaixo do braço. No capítulo 6, o apóstolo Paulo escreve sobre a “armadura de Deus”, composta pelo “cinturão da verdade, couraça da justiça, sapatos do evangelho, escudo da fé e capacete da salvação”. Já na Maranata, a evangelização tem uma nova arma: a de fogo. Uma testemunha relatou que, ao chegar para conversar com seus líderes, foi recepcionada com uma arma que esperava em cima da mesa.

A Maranata manifestou-se. Em nota, a Diretoria negou tudo, falou de “cruzada religiosa” e disse confiar que “a Verdade prevalecerá”. Alguns fiéis acreditaram. Na internet, disseram que “a perseguição se dá porque as obras de Deus estão incomodando as forças do mal” e que “130 mil pessoas louvando a Jesus faz com que o inimigo se levante contra a Igreja do Senhor”. Não percebem estes que as investigações não têm como objetivo atacar a igreja, mas sim defender os verdadeiros cristãos que têm sua fé explorada.

Igualmente sem sentido é alegar que as prisões são “uma reação ao evento” de domingo. As denúncias de ameaças datam de janeiro. Curioso, na verdade, é a igreja comemorar os 45 anos em março, sendo que seu aniversário é apenas em outubro. Acaso?

Os fiéis que realmente amam sua igreja deveriam dar uma chance à lucidez e apoiar que a Maranata seja liberta daqueles que sujam seu nome. Se hoje as lideranças se reúnem em “dois ou mais” para rasgar os ensinamentos que pregam, cabe aos membros lutar para que “o Senhor Jesus venha”, antes de qualquer coisa, para a instituição.

Em toda essa história, os denunciantes é que têm dado exemplo de fé. Uma das testemunhas disse: “Morro, mas o que está escrito vai continuar, pois disse a verdade”. Vê-se, pois, que sua convicção carrega consigo a maior certeza do cristianismo, afinal, “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”.

Gabriel Tebaldi, 20 anos, é estudante de História da Ufes.

Fonte: A Gazeta

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