Pastores da Maranata investigados vinham desrespeitando a Justiça, diz juiz


Conduta inadequada levou à intervenção na Igreja Maranata


Foto: A Gazeta
A Gazeta
Pastor Gedelti Medeiros foi afastado da cúpula da igreja


Foi a conduta inadequada dos pastores que estão sendo investigados pelo desvio de recursos do dízimo da Maranata que levou à intervenção judicial na igreja. A afirmação é do juiz Manoel Cruz Doval que, ao decretar a medida, na última sexta-feira, assinalou que essas pessoas não vinham respeitando as decisões da Justiça.

Em sua decisão, Doval assinala: “Este juízo se debruça hermeticamente sobre a tentativa de permanência no poder da Igreja Maranata, em desobediência à determinação judicial da qual restaram plenamente cientes”. E acrescenta: “Houve límpida demonstração de desídia por parte dos investigados”, pontua o juiz.

Ele cita como exemplos a tentativa de obstruir as investigações e a obtenção de provas ao longo do processo. Além disso, diz que não houve respeito à exigência de afastamento das sedes administrativas da igreja e de contato entre os líderes.

Ele refere-se a outra decisão judicial, do fim de 2012, quando foi feita a Operação “Entre Irmãos” pela Polícia Federal, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na época, toda a diretoria da igreja foi afastada, incluindo o então presidente, Gedelti Gueiros.

A Justiça permitiu que a Maranata indicasse a nova diretoria, mas isso não impediu que os antigos líderes continuassem mandando. Diz o juiz: “Foram substituídos por novos e verdadeiros ‘longa manus’ – expressão em latim que significa mão longa ou executor de ordens – da diretoria anterior”.

Tanto é assim, complementa o juiz, que até o presidente interino, Elson Pedro dos Reis – indicado pela própria igreja –, acabou sendo preso. E acrescenta: “Não se obteve a almejada boa-fé processual, tanto que justamente sob a nova administração e que decorreu o cometimento de supostos novos crimes” e que culminou com a prisão de quatro pastores, relata a decisão.

Por essas atitudes, que Doval destacou como “má conduta”, foi decretada a intervenção judicial. “Neste momento em que correm as investigações não me parece razoável manter a cúpula sob a direção de membros que possam sofrer influenciações diretas ou sutis, de natureza reverencial”, diz o juiz em sua decisão.

Desde 2012, a cúpula da Maranata é investigada por desvio de recursos do dízimo, que pode chegar a R$ 21 milhões. As apurações são feitas pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, pela Polícia Federal, e pelas Receitas Estadual e Federal.

Nome de administrador será indicado nos próximos dias

A direção da Igreja Maranata vai estar agora nas mãos de um administrador judicial. O nome do interventor será indicado nos próximos dias pela Justiça. A escolha inicial, citada inclusive na decisão, foi pelo nome do perito Jerry Edwin Ricaldi Rocha, que recusou a indicação por problemas de saúde na família.

O novo interventor vai comandar a Maranata com plenos poderes nas áreas administrativa e financeira. Poderá ter acesso, segundo a decisão da Justiça, a todas as dependências e a todos os documentos, além de poder “contratar, dispensar, afastar, gerir, fiscalizar”, além da movimentação financeira junto às instituições bancárias, diz o texto da decisão.

Sua atuação, no entanto, não poderá interferir nas atividades religiosas, que vão continuar sob o comando dos pastores da Igreja Maranata.

Será dado ao novo administrador da Maranata, a partir do momento em que for indicado, um prazo de 90 dias para concluir os trabalhos. Ele terá ainda que prestar contas de seus atos diretamente ao juiz.

Juiz afirma: igreja e Presbitério não são alvo de investigação

A Igreja Cristã Maranata e as pessoas jurídicas a ela associadas - como os Maanains e o Presbitério de Vila Velha - não estão sendo investigadas. A declaração é do juiz Manoel Cruz Doval, que afirma em sua decisão: “Elas não ostentam a condição de investigadas”.

O juiz explica, no mesmo documento, que a intervenção judicial veio proteger os interesses da igreja, ao contrário do que propõe a defesa da instituição no processo que investiga a Maranata. “A instituição religiosa, em sentido amplo, é, justamente, o bem da vida a ser protegido nesta investigação”, diz Doval, na decisão.

É exatamente visando a resguardar a igreja, frisa o juiz, que foi mantido o bloqueio de recursos da Maranata no total de R$ 30 milhões. O valor havia sido bloqueado no fim de 2012.

Na avaliação de Doval, não procedem as argumentações dos advogados da Maranata de que a instituição estaria sendo punida com o bloqueio dos recursos. Ele acrescenta que “o patrimônio ora assegurado (bloqueado) serviu justamente como um padrão mínimo de resguardo da própria instituição”.

Igreja não se pronuncia

Por nota, a assessoria de imprensa da Maranata informou ontem que não se pronunciaria sobre as decisões da Justiça. Em nota oficial publicada no último dia 13, a igreja afirmou que não tem a postura de atuar de forma ilícita, que fez investigação interna para apurar irregularidades cometidas contra a instituição e que jamais coagiu testemunhas ou ameaçou autoridades.

Fonte: A Gazeta

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