Prefeitura de Cariacica-ES quer criar grupo para dar tratamento VIP às igrejas


Prefeitura quer grupo só para atender igrejas

Gerência Sociorreligiosa vai tratar de disque-silêncio a obras

 As igrejas de Cariacica podem ter um tratamento VIP na prefeitura. O prefeito Juninho (MD) quer criar uma Gerência Sociorreligiosa para atender demandas de variadas denominações, desde licença para realização de obras até problemas com o disque-silêncio. 

A intenção é dar mais agilidade e um tratamento adequado à resolução dessas questões. “A Secretaria de Meio Ambiente trata as igrejas como bares e casas noturnas. Já chegou a pessoa com colete e encerrou o culto”, alega Juninho. 

Ele ressalta, entretanto, que apesar de a fiscalização quanto ao volume das celebrações ficar por conta da nova gerência, as igrejas não vão poder “fazer barulho à vontade”.

A ideia de criar o órgão, ainda segundo o prefeito, surgiu após a observação de que as igrejas precisam de mais atenção e que têm dificuldades na relação com o poder público. 

À frente da gerência estará o pastor da igreja batista Douglas Lopes Gomes, que já atua como assessor técnico na prefeitura. Ele diz que a gerência, ligada diretamente ao gabinete do prefeito, não beneficiará apenas os evangélicos.

“Ela não vai ser criada para atender igreja evangélica, mas qualquer denominação, seja igreja católica ou centro espírita”, afirma o pastor.

O projeto não contempla, no entanto, o repasse de verbas às denominações. Para ser implantada, a gerência precisa de aprovação da Câmara Municipal. A proposta deve ser enviada pela prefeitura aos vereadores em junho.

Apoio

Presidente da Associação dos pastores de Cariacica, Solimar Lopes diz que é “absolutamente favorável” à proposta. “É uma forma de viabilizar as igrejas”, disse.

O padre Edemar Endringer, da Paróquia Bom Pastor, declarou que sabe por alto do projeto. “Tenho medo que a gerência possa favorecer um grupo em detrimento de outro, mas se for democratizar, é bom. Agora, a igreja tem que andar com as próprias pernas, não pode depender da prefeitura porque a administração é laica”, alertou o padre.

Integrante da Comunidade Espírita Gabriel Delane, Elza Santos também tem uma preocupação: “Eu nem estava sabendo dessa proposta, mas todos os líderes religiosos têm que se reunir para decidir quem ficará à frente. Por que será um pastor?”, questiona.

Professor: benefício deve ser amplo
Para o professor de Direito Julio Pompeu, especialista em Ética de A GAZETA, a proposta de criação da Gerência Sociorreligiosa é, a princípio, “ uma estrutura administrativa estranha”, mas não ilegal.

O problema é se o órgão beneficiar apenas pessoas ligadas a religiões ou a uma determinada religião.

“Eu não sei se um pai de santo aparecendo lá vai ser recebido da mesma forma que um pastor”, pontua o professor.

“Além disso, sendo um tema sobre religião, corre o risco de acontecer o que ocorre no Congresso, em que há uma frente evangélica, um bloco movido por discurso religioso. O problema é que religião é uma escolha e quando se legisla com base nisso, desconsidera-se as pessoas que não fizeram essa escolha”, ressalta Pompeu.
Outra questão levantada pelo professor é que, embora não tenha o objetivo de repassar recursos às instituiçõres religiosas, a gerência terá servidores à disposição, pagos com dinheiro público, e o trabalho que vão desempenhar na prática merece atenção.

Religiosos

“Às vezes a gente precisa de uma licença ou de um alvará e vai para um lado, depois para outro. A gerência pode facilitar isso”
Solimar Lopes, pastor

“Se for apenas para democratizar e organizar, é bom. Mas a igreja tem que andar com as próprias pernas, não pode depender da prefeitura”
Edemar Endringer, padre

Fonte: A Gazeta

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