A imagem do Divino Pai Eterno e a exaltação a Maria - Trindade ou "quatrindade"?




A imagem do Divino Pai Eterno e a exaltação à Maria

Amigos, meu objetivo com esse post é analisar de forma breve a ideia transmitida pela imagem do Divino Pai Eterno. Quero lembrar que eu não pretendo levantar polêmica com essa minha exposição, mesmo que tenha pontos exegéticos e representação teológica entre fé evangélica e fé católica. Com subsídios suficientes, continuo a alertar aos amigos católicos sobre o perigo de se envolver com o culto às imagens.

A devoção à imagem do Divino Pai Eterno iniciou-se por volta de 1840, quando um casal de agricultores, nas proximidades do Córrego do Barro Preto, (atualmente Trindade, região de Campinas, GO), encontrou no campo onde estavam trabalhando um medalhão de barro, no qual estava imagem da Trindade coroando a virgem Maria. Após beijarem o medalhão, os agricultores levaram a imagem para casa e lá começaram a rezar diante dela. O fato foi notificado e, aos poucos, outros moradores passaram a rezar diante do objeto. Crescendo a devoção, construíram um santuário e fizeram uma réplica de madeira da imagem. No ano de 2006, então, o papa Bento XVI elevou o santuário ao status de Basílica Menor, tornando a imagem peregrina.

Mesmo reconhecendo tais manifestações são compreensíveis, sob a ótica da devoção popular, é claro, principalmente entre os indivíduos das classes sociais mais baixas, os menos favorecidos, sendo mais suscetíveis a esse tipo de superstição, contudo, o que não consigo entender é como alguns homens que estudaram a Palavra de Deus durante anos e anos nos seminários, ao invés de arrancar pela raiz esse mal, conseguem pôr mais ainda em execução esse tipo de coisa.

Todo esse processo de geração do culto às imagens ocorre da seguinte forma: a devoção popular de um ou mais católicos gera culto que cresce e pressiona a paróquia que, por sua vez, para não perder fiéis, tolera a crença e justifica a prática com a presença de padres e/ou bispos e missas no local. Mas há, também, as questões políticas que influenciam a aceitação das devoções. E ainda existe a possibilidade de, com o aparecimento de novas imagens e o crescimento das devoções a elas, a diocese, junto com o município, arremessar-se no cenário nacional.Nesse caso, padres e bispos locais fazem pressão sobre os principais dirigentes da Igreja para que eles reconheçam a prática essa prática, tornando oficial o culto às imagens. Em volta desses santuários, aumenta também, a exploração comercial com a venda de objetos e, principalmente, de réplicas das estatuetas. Aliás, temos um exemplo típico disso nas cidades de Trindade (GO) e Aparecida (SP).

Quando olhamos com discernimento e analisamos de forma crítica a imagem do Divino Pai Eterno, entendemos que que algo está errado, julgando pela questão teológica que diz respeito ao próprio conceito da palavra Trindade. De forma subliminar, a existência da representação de Maria está unificando-se na Trindade, e com isso, fazendo uma "quatrindade" (composto por quatro), e traz confusão à mente do devoto católico, e esse cada vez mais passa a ver em Maria a representação de uma personagem praticamente divina, tão poderosa quanto as três Pessoas da Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, entre os quais ela se representa e se uni.Com isso, observamos que a Maria criada pelo catolicismo seja bem diferente da Maria que encontramos nos evangelhos!

Uma outra questão sobre esse problema, sob essa representação,refere-se a própria devoção católica. Será que o devoto, ao se ajoelhar diante da imagem do Divino Pai Eterno para fazer preces, poderá fazer a "cuidadosa" diferença entre o culto de latria (adoração a Deus) e o culto de hiperdulia (adoração a Maria)? Por acaso, conseguiria ele distinguir entre os diferentes cultos prestados à imagem de Maria e a Deus? Claro que não, pois isso não se pode provar ou evidenciar.

Vemos também que que o simbolismo oculta e acaba representando, de forma simultânea, mensagens subliminares. A dimensão simbólica da imagem tornou-se mais importante como a imagem em si mesmo. É importante analisarmos a posição de Maria nesse conjunto Repare que a cena produzida na imagem do Divino Pai Eterno apresenta Maria planejada de maneira ligeira na frente das três representações divinas com um destaque sutil.Na verdade, o que se vê por trás da cena criada não projeta o Pai Eterno, mas sim Maria: para os católicos, Maria é a rainha do céu.

Quero ressaltar que não há nenhuma base bíblica para esse título mariano. O título rainha do céu aparece unicamente na Bíblia para identificar e condenar o culto a uma deusa do paganismo.Isso mesmo! A rainha dos céus era uma deusa pagã, pela qual pessoas no passado não quiseram obedecer a Palavra do Senhor que lhes foi anunciada (Jeremias 44.16) adorando-a com incenso e libações e outras oferendas e sacrifícios (Jeremias 44. 17 -30). "Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira." (Jeremias 7:18).E "andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás, e não para diante." (Jeremias 7:24).Vocês não acham coincidência e, ao mesmo tempo, estranho darem à Maria o título de  "Rainha dos Céus"?

Além disso, quando observamos melhor a imagem do Divino Pai Eterno, percebemos que sobre a cabeça de Maria há as mesmas coroas que o Pai e o Filho possuem. E é nesse gesto anacrônico e silencioso, todo o poder que pertence ao governo de Deus compartilhado com Maria. O filme, O alto da Compadecida transmite a ideia de que Maria pode mais que Jesus, pois na cena em que o personagem João Grilo morre e vai para o céu ser julgado , o "Jesus" diz que o caso ele não pode resolver e logo passa para Maria, a qual salva João. Uma coisa que muitos não sabem, ou sabem e fingem não saber, é que a mensagem simbólica, partilhada com os sígnos, é que Maria governa e rege o Universo junto com a Trindade. Por isso que, em representações como essa, Maria é vista tão poderosa quanto os outros personagens.

Determinadamente, fica difícil entender porque a imagem foi denominada de Divino Pai Eterno, sendo que Maria foi quem recebeu a coroa de personagem principal na cena, e Deus, o Pai, é visto como um simples coadjuvante. Pode ser que, a grande coleção de ícones de Maria, em suas muitas demonstrações, tenha feito surgir a oportunidade de esse fervor religioso ter causado um desvio da projeção de Maria para o Pai, que até então, não tinha nenhuma reprodução por meio da escultura no panteão romano.

Além da própria presença do ícone, em si mesma, a negligência explícita do mandamento que proíbe a fabricação e o culto às imagens (Êxodo 20.4,5), a representação do Deus Pai no ícone do Divino Pai Eterno como um ancião, torna mais eficaz esse erro a graus superiores sem limites, pois vários textos da Palavra de Deus na Bíblia Sagrada proíbem  de modo indiscutível, representar as imagens de Deus Vemos isso em Deuteronômio 4,15-16, onde diz: "Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o SENHOR, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher".

A clareza do texto dispensa interpretações mais sofisticadas, e em muitos outros textos, a Bíblia ordena que não se faça imagens para lhes prestar cultos. E esse erro se torna pior ainda quando se trata da imagem do Divino Pai Eterno, pois além de sabermos que o próprio Jesus disse que ninguém jamais viu o Pai (João 1.18), a não ser pelo próprio Filho (João 14.9), também "não devemos pensar que a Divindade é semelhante a uma escultura de ouro, prata ou pedra, feita pela arte e imaginação do homem." (Atos 17:29). E se ninguém jamais viu o Pai, como, então, podemos representá-Lo através de uma imagem? É impossível isso!

Podemos nos certificar de que essa prática transgride ensinamento bíblicos, destacando pontos como: a imagem em si, o culto desenvolvido em torno da imagem, o Pai Eterno representado em mais um ídolo, a figura de Maria junto a Trindade, e Maria como rainha do céu.

Após essa rápida análise, deixo, aos amigos e devotos católicos, o mesmo conselho de João de João em sua I Carta, capítulo 5, versículo 21: "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém".

Uepa! Malafaia diz que vai "ferrar" revista Forbes!


Silas Malafaia diz que vai "ferrar" Forbes por ranking da fortuna

Malafaia defende que seus bens somam R$ 6 milhões e não R$ 150 milhões, como apontou estimativa da

Malafaia defende que seus bens somam R$ 6 milhões e não R$ 150 milhões
O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, disse que vai entrar na Justiça contra a revista Forbes para "ferrar esses caras". Na semana passada, Malafaia e outros pastores evangélicos "multimilionários" foram tema de reportagem da publicação norte-americana que listava o patrimônio de cada um e mostrava a fé como um "negócio altamente lucrativo" no Brasil.

Malafaia defende que seus bens somam R$ 6 milhões e não R$ 150 milhões, como apontou estimativa da reportagem. As declarações foram dadas à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Ou seja, segundo o pastor, sua fortuna chegaria a apenas 4% do divulgado pela reportagem, que, por sua vez, alega basear-se em números da imprensa brasileira e, em alguns casos, do Ministério Público e da Polícia Federal. "Vivo de renda voluntária. Eles me prejudicaram. (O fiel) vê aquilo e pensa, ‘ih, não vou (dar o dízimo), tá me roubando’", disse.

Edir Macedo, que aparece como o mais rico do Brasil – com patrimônio de quase US$ 1 bilhão –- além de R.R. Soares, Valdemiro Santiago e o casal Sonia e Estevam Hernandes não se manifestaram.

"Igreja e associação não são minhas", garante evangélico

Malafaia já havia falado que nunca escondeu nada. "Se juntarmos a receita da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que não é minha, mais a receita da Associação Vitória em Cristo, que não é minha, o faturamento da Editora Central Gospel, que é minha propriedade, e mais ofertas voluntárias por palestras, não dá a metade do que anunciaram. Ele disse que os R$ 6 milhões se resumem a uma casa e um apartamento no Rio e na Flórida, respectivamente, além de três imóveis dados aos filhos.

Fonte: A Gazeta

Pastor briga para retomar a liderança da igreja Maranata


Gedelti Gueiros já obteve uma vitória na Justiça Federal para reassumir o comando da igreja, mas uma decisão estadual o mantém afastado.

Um total de 26 pessoas são investigadas pelo desvio do dízimo doado à Maranata

Uma briga na Justiça está sendo travada para garantir que Gedelti Victalino Gueiros reassuma o comando da Maranata. Ele e os demais diretores da igreja foram afastados de suas funções no final do ano passado por decisões da Justiça estadual e da federal. Todos tiveram seus bens bloqueados, sigilos bancário e fiscal quebrados e foram impedidos de entrar no Presbitério de Vila Velha, a sede de comando da instituição.

Ao todo 26 pessoas estão sendo investigadas pelo desvio do dinheiro doado pelos fiéis. Na edição deste domingo, A GAZETA revelou com exclusividade detalhes das investigações feitas pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Entre eles está o possível enriquecimento ilícito dos pastores, cujo patrimônio chegou a crescer até seis vezes nos últimos cinco anos. E mais: a movimentação financeira desses pastores chega a ser até dez vezes superior ao rendimento declarado ao Imposto de Renda.


Comando


Na esfera federal a igreja conseguiu reverter o afastamento de Gedelti. No último mês, um habeas corpus assinado pelo desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF da 2ª Região) Raldênio Bonifácio Costa, o autoriza a reassumir suas atividades junto à igreja e ao Conselho Presbiteral, bem como ter acesso à sede administrativa da instituição.


Mas ele continua impedido de retornar ao cargo ou mesmo entrar no Presbitério porque ainda está valendo a decisão da juíza Sayonara Couto Bittencourt Barbosa, da Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, que determinou seu afastamento, assim como o dos demais diretores da igreja, no final do ano passado.


O advogado Sérgio Carlos de Souza, que faz a defesa da Maranata, garante que um recurso já foi entregue à Justiça Estadual. "Já apresentamos documentos e fatos que comprovam a lisura da administração da igreja, mas a nossa defesa ainda não foi apreciada", assinalou, acrescentando ainda que já conseguiram uma decisão que garantiu o desbloqueio dos bens.


Na última segunda-feira a Justiça homologou o nome de três pastores para a direção da igreja. A indicação foi feita pela própria Maranata, em documento assinado por sua advogada, Bárbara Valentim. Acatava assim uma decisão da juíza Sayonara Couto Bittencourt Barbosa, que determinou que novos membros assumissem o comando da instituição.


Novos líderes


Para a diretoria administrativa, de Recursos Humanos e Financeira foi apontado o nome de Carlos Manoel de Souza Moraes, assim como o de Elson Pedro dos Reis para o posto de diretor de Engenharia e Construção, e de Izaldino Athayde Lima para o a diretoria de patrimônio. Na mesma lista aparecia o nome do coronel carioca Sérgio Gomes Novo para representar o Conselho Presbiteral. 


Na última segunda, porém, uma decisão do juiz Marcelo Menezes Loureiro, da Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, homologou os nomes de três diretores. Um dos indicados, Sérgio Novo, foi eliminado. De acordo com o advogado Sérgio Cardoso, o coronel reside no Rio de Janeiro e enfrentaria dificuldades para vir ao Estado com a frequência que o cargo exige, por isso foi feita a retirada de seu nome da lista. Até o momento a igreja não indicou um nome para representar o Conselho Presbiteral, que comanda a Maranata e seus mais de cinco mil templos no Brasil e outros no exterior. 


Por intermédio de nota a igreja reafirmou a sua posição de que as acusações serão todas esclarecidas. "A Maranata jamais se insurgiu contra qualquer tipo de investigação que esclareça os fatos. Pelo contrário, sempre mostrou interesse em dirimir todas as eventuais dúvidas e acusações", diz, em nota oficial.


Ao todo, 26 pessoas – a maioria pastores – estão sendo investigadas por sua participação num esquema de corrupção que, segundo as investigações, desviou recursos doados por fiéis, um rombo que pode ultrapassar os R$ 21 milhões, segundo estimativas da própria igreja. 


Igreja nega enriquecimento de pastores


Em nota oficial, publicada na edição de A GAZETA deste domingo, a Maranata garante que não há enriquecimento ilícito dos seus pastores. Diz ainda que o pastor Gedelti Gueiros teve uma movimentação financeira atípica nos período de 2008/2011 porque vendeu imóveis e que ingressaram em seus rendimentos recursos de aluguéis e salários que recebe.


A nota oficial afirma ainda que o patrimônio de Gueiros é "fruto do trabalho de toda uma vida", anterior a fundação da igreja e que pode ser comprovado em sua evolução patrimonial e declaração de Imposto de Renda. "A movimentação é totalmente legal pois havia lastro para embasá-la".


A nota é concluída atribuindo as dificuldades às dissidências. A igreja "lamenta que tais leviandades construídas por uma dissidência da igreja atentem contra os pilares firmes que há 45 anos sustentam a instituição", diz o texto.


As investigações do Ministério Público apontam que a movimentação financeira de Gueiros foi sete vezes superior a seu rendimento e que o patrimônio dos pastores cresceu até seis vezes nos últimos cinco anos.


Para o advogado Sérgio Carlos de Souza, que faz a defesa da igreja, outra incoerência vem da citação, nas investigações do patrimônio e movimentação financeira de outros três pastores: Adaísio Fernandes, José de Anchieta Fraga e Alexandre Melo Brasil. "A investigação é de 2007 a 2011, mas eles só passaram a fazer parte da diretoria no final de 2011", argumenta.


Souza, que também é pastor, assinala que as investigações não afetaram a rotina da igreja. Garante que há normalidade, não só administrativa, mas também nos cultos e nas reuniões com os fiéis. "O que temos vivido é um aumento do seu número de fiéis e uma firmeza entre os seus membros, que conhecem a origem dos problemas", disse. Sérgio assinala que uma prova disso foi o ingresso de mais de mil pastores na igreja em 2012.



Fonte: A Gazeta e Gazeta Online

Perlla quer virar pastora evangélica


Dedicada à carreira gospel, Perlla quer virar pastora evangélica
Cantora conta que sua vida mudou para sempre


Perlla deixou o mundo do funk para evangelizar.

Desde que parou de cantar funk, Perlla tem se dedicado a escrever músicas com cunho gospel. A nova fase da cantora culmina com a vontade de se torna pastora evangélica. Por enquanto, ela prefere ser reconhecida apenas como uma ministra de louvor.

"Ainda não tenho cargo, sou ministra de louvor. Nos bastidores, os meninos brincam comigo me chamando de futura pastora. Vamos começar agora em fevereiro a estudar teologia. Quero saber tudo certinho o que estou fazendo", disse ela em entrevista ao site Ego.

De acordo com a publicação, Perlla está determinada e não se arrepende do novo rumo. "Muita gente me apontou e achou que era jogada de marketing minha. A minha vida mudou para sempre. Não olho para os homens, olho para Jesus e estou aqui para fazer a minha parte como cristã e servi-lo do jeito que ele me ensina todos os dias. Faço shows nas igrejas contando o nosso testemunho e louvando a mensagem de Deus.", explicou Perlla.

Fonte: GAZETA ONLINE

Cresce bens de pastores da Igreja Maranata


Bens de pastores da Maranata crescem 6 vezes

Foi a quanto chegou o aumento do patrimônio de alguns dos administradores da igreja, segundo investigação do Ministério Público

Um total de 26 pessoas, a maioria pastores da Maranata, está sendo investigado pelo desvio de dinheiro do dízimo doado por fiéis.

As investigações que apuram o desvio do dinheiro do dízimo doado pelos fiéis da Maranata revelam que os pastores que administravam a igreja podem ter enriquecido de forma ilícita. Um exemplo vem do patrimônio deles, que, nos últimos cinco anos, chegou a engordar até seis vezes. E não fica só aí: a movimentação financeira em suas contas foi até dez vezes maior do que o rendimento declarado ao Imposto de Renda. 

A análise das finanças faz parte das investigações que estão sendo conduzidas pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e estão no processo que tramita na Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, ao qual A GAZETA teve acesso.

O material serviu de respaldo para que a Justiça autorizasse a busca e a apreensão de documentos e equipamentos na igreja e na casa dos investigados, além do sequestro de bens da instituição e de seus pastores, no final do ano passado.


"Ressaltamos a corrida por retificações nas declarações de Imposto de Renda de boa parte das pessoas físicas alvos do processo, que fizeram acrescer transações, bens e valores até então omitidos para não demonstrar incompatibilidade."

"É possível extrair variadas descrições das práticas ilícitas adotadas por membros da igreja."

Relato dos promotores no processo que tramita na Justiça


Clandestino

Foi a partir da quebra do sigilo fiscal dos investigados que o Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro, do Ministério Público Estadual, acabou confirmando as denúncias sobre a destinação clandestina do dinheiro doado pelos fiéis. "Era utilizado por determinados membros para investimento em bens e vantagens particulares", diz o relato dos promotores, no processo. 

De acordo com as denúncias, com o dinheiro doado foram comprados apartamentos, casas, sítios, carros, e pagas contas de cartões de crédito. Até dólares foram enviados para o exterior na mala dos fiéis. O resultado, segundo relato dos promotores, é uma evolução patrimonial "considerável e incompatível" com a renda declarada.

Enriquecimento

Para exemplificar a situação à Justiça, foram utilizados cinco casos de pastores e suas respectivas situações patrimonial e financeira. "Há exemplos do súbito, injustificado e suspeito enriquecimento de alguns membros da igreja", relata o texto.

Um dos casos apontados é o de Gedelti Victalino Gueiros, um dos fundadores e presidente da Maranata, afastado do cargo no final do ano passado. A movimentação de dinheiro em sua conta foi sete vezes superior ao seu rendimento, "indicando clara incompatibilidade entre os anos de 2009 e 2011", diz o texto do processo. 

Em 2009, por exemplo, seu rendimento bruto declarado foi de R$ 127 mil, mas a movimentação em sua conta superou os R$ 964 mil.

Sem crise

Não é muito diferente a situação de Antonio Angelo Pereira dos Santos, ex-vice-presidente, que foi apontado pela própria igreja como um dos responsáveis pelo esquema de corrupção. Seus bens, assim como sua movimentação financeira, cresceu mais de seis vezes nos último cinco anos.

Um detalhe curioso é que o seu patrimônio continuou aumentando até mesmo nos períodos em que seus vencimentos estavam em queda. De 2009 para 2010, seu rendimento caiu de R$ 77 mil para R$ 45 mil, mas seu patrimônio foi de R$ 349 mil para 375 mil.

Há ainda o caso do pastor Adaíso Fernandes Almeida, cujo patrimônio saltou de R$ 667 mil para R$ 2,97 milhões em cinco anos; do pastor José de Anchieta Fraga Carvalho, cujo patrimônio triplicou, e sua movimentação financeira foi quase dez vezes superior ao seu rendimento declarado; e também do pastor Alexandre Melo Brasil, cujo entra e sai em sua conta foi oito vezes maior do que seus vencimentos.

Boa parte dessa movimentação ocorreu no momento em que o mundo vivia os reflexos da crise financeira que teve início em 2008 e teve repercussões nos governos federal, estaduais e municipais e até nas empresas nos anos que se seguiram.


Investigados

Ao todo, 26 pessoas estão sendo investigadas pelo Gaeco como responsáveis pelas fraudes. A maioria fazia parte da administração da igreja, grupo destituído pela Justiça no final do ano passado. Entre essas pessoas estão Gedelti Victalino Gueiros e Antonio Angelo Pereira dos Santos.

O esquema de corrupção que desviou o dinheiro doado pelos fiéis foi viabilizado por intermédio de notas fiscais frias que pagavam serviços superfaturados, segundo as denúncias. Elas indicam o envolvimento de pastores, diáconos e até fornecedores do Presbitério de Vila Velha, que concentra a administração dos mais de 5 mil templos no Brasil, além de outros no exterior. 

Segundo relato dos promotores do Gaeco, constantes no processo que tramita na Justiça, o dízimo foi usado até em outras vantagens particulares. "E, para acobertar os desvios e as irregularidades, os envolvidos no esquema criminoso se valiam da constituição fraudulenta de empresas e acordavam a emissão de notas fiscais superfaturadas", diz o texto.

Há denúncias ainda de que equipamentos eletrônicos foram adquiridos no exterior e importados de forma ilegal. O material teria sido utilizado na montagem de um sistema de audiovisual para a igreja transmitir seus cultos para templos no Brasil e no exterior.

Entre os crimes que podem ter sido cometidos estão estelionato, falsidade ideológica, formação de quadrilha, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e até formação de curral eleitoral. Há investigações também sendo feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Silêncio

O promotor do Gaeco, Lidson Fausto da Silva, não quis se manifestar sobre detalhes do caso, argumentando que as informações são fornecidas por intermédio de nota oficial do Ministério Público Estadual, quando necessárias. 

Silêncio semelhante, segundo as poucas informação confirmadas pelo promotor, vem sendo mantido pelos membros da igreja já intimados a depor. Quase todos têm se recusado a falar, sob o argumento de que só comentam o caso em juízo. 

Uma preocupação de que essas pessoas poderiam sofrer algum tipo de intimidação está presente no processo. Promotores relatam as dificuldades encontradas para colher novas provas e depoimentos em decorrência até do "receio de sofrer retaliações, perseguições e difamações na igreja", diz o texto do processo judicial. 

A juíza Sayonara Couto Bittencourt Barbosa chegou a proibir que as 26 pessoas investigadas, incluindo os pastores, façam contato com qualquer testemunha que já foi ouvida ou que ainda vá prestar depoimento. Há pessoas que têm recorrido à Ouvidoria do Ministério Público Estadual e ao Gaeco para fazer suas denúncias por telefone. "Quem liga para o 127 ou 3145-7150 tem o sigilo garantido", assinala o promotor Lidson.

Resposta

O advogado Rodrigo Horta, que faz a defesa do pastor Adaísio, disse que só fala sobre o assunto em juízo. José Luiz Oliveira de Abreu, advogado de Antonio Angelo, discorda das afirmações dos promotores. Ele garante que o patrimônio de seu cliente é compatível com o rendimento do mesmo e que isso será provado no momento certo, "na Justiça", assinalou.

Foi por intermédio da assessoria de imprensa da Maranata que os demais pastores citados na matéria responderam às denúncias de enriquecimento ilícito. José de Anchieta informou que o aumento de seu patrimônio "se deve ao trabalho prestado por sua empresa a uma multinacional que lhe rendeu um faturamento especial naquele período".

Já Alexandre Mello, que também é advogado, explicou que "recebe quantias em nomes de clientes, faz o saque e repasses, ficando apenas com os honorários, o que justifica sua movimentação bancária". 

Convicção

O ex-presidente da Maranata, Gedelti Victalino Gueiros, assinalou que, "de acordo com parecer técnico de auditoria independente, a evolução financeira no período de 2007 a 2011, contrapondo aos dados apresentados pelo Ministério Público Estadual, é compatível com seus rendimentos". Acrescentou ainda que os dados estão à disposição da Justiça.

A Igreja Maranata, por sua vez, assinala que reafirma sua convicção de que as acusações serão esclarecidas. "A igreja jamais se insurgiu contra qualquer tipo de investigação que esclareça os fatos", disse em nota oficial, acrescentando que "é com base na transparência e respeito integral à verdade que a Igreja Cristã Maranata confia no rápido desfecho para esse lamentável episódio".


Entenda o caso

Denúncias

No final de 2011,  circularam informações de que o dízimo doado por fiéis da Maranata estava sendo desviado por pastores, diáconos e fornecedores da igreja

Matérias

Após A GAZETA publicar matérias sobre as fraudes, o Ministério Público Estadual abriu uma investigação criminal em fevereiro do ano passado 

Rombo

O prejuízo estimado era de R$ 21 milhões, mas a Maranata recorreu à Justiça, pedindo o ressarcimento de R$ 2,1 milhões

Acusados

O então vice-presidente da igreja, Antônio Angelo Pereira dos Santos, e o diácono e contador Leonardo Alvarenga foram apontados, pela Maranata, como os responsáveis pelo esquema de corrupção que desviou o dízimo. Os dois foram afastados de suas funções e processados na Justiça

Investigações

As investigações conduzidas pelo Gaeco revelaram que outros pastores da cúpula da Maranata, incluindo seu líder, Gedelti Gueiros, estavam envolvidos nas fraudes. Seus sigilos bancário e fiscal foram quebrados

Operações

No fim de 2012, os promotores do Gaeco e a Polícia Federal realizaram uma operação conjunta, denominada “Entre irmãos”, em que  foi feita a busca e a apreensão, além do sequestro de bens da igreja e dos pastores investigados 


Fonte: A Gazeta e Gazeta Online